Elai_Razhell@friends

Arrisco usar uma frase do texto "anti-lógica" para nos descrever: somos apenas dois sábios ignorantes que sabemos mais do que desejávamos sem saber o suficiente para sentir saciada a nossa ignorância.

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Sou apenas um sábio ignorante que sabe mais do que desejava sem saber o suficiente para sentir saciada a sua ignorância...

Wednesday, April 11, 2007

Espectro

Este é um poema que já escrevi há alguns anos atrás numa altura em que descrevia na perfeição os meus sentimentos. Caío no esquecimento até recentemente aparecer na minha vida alguém que me faz lembrar o "eu" desses tempos. Procurei nos velhos cadernos e aqui está ele. Escrito numa altura em que eu próprio cambaliava sem alma, dedico-o agora a ela.

Corpo sem alma
Se move com calma
Sem vontade de viver
Sem medo de morrer
Sem vontade de vencer
Sem vontade de lutar
Só lembra o que quer esquecer
Esqueceu o que gostava de lembrar
Um espectro, um sopro, uma chama
Sem sorrisos nem lágrimas para derramar
Um ser que ninguém ama
E sem ninguém para amar

25ºLTC1 (vigésimo quinto livro do tempo capitulo um)

A transcrição de uma passagem de um livro do tempo para outro é proibida, por isso, terei de contar eu mesmo a batalha sucedida. Acredito que em nenhum livro do tempo se contou algo já antes contado mas as circunstâncias a isso o obrigam. Dado o “buraco histórico” a preencher talvez seja conveniente relembrar a batalha que marca o início deste novo livro.

- Não quero ninguém a desanimar! Vamos voltar lá para fora e enfrentar aqueles malditos anjos! – Gritava Karan, rei dos demónios. Sangrava de vários lados e o vermelho do sangue misturava-se com o negro da sua pele nua. Os chifres meio encaracolados para cima surgiam de entre o seu cabelo liso, negro, comprido. A sua face mostrava cansaço, no entanto ainda havia esperança nos seus olhos amarelos. De armadura negra que lhe protegia o tronco, antebraços, juntas das asas, canelas e joelho, e de Tamaki em punho, a lendária espada do rei Feren, rei que reinou no primeiro livro do tempo que derrotou e foi derrotado em simultâneo por Adunim, anjo rei que reinava entretanto. As duas espadas se tornaram lendárias para as duas raças e ambas afirmam que estas estão vivas, mantendo a alma dos seus primeiros controladores e que, por isso, se odeiam.

- Sejamos realistas Karan! Estamos perdidos, talvez os anjos tenham razão, talvez sejamos o mal existente na terra, talvez Riken seja de facto um Deus. – Falava com desanimo um demónio de voz forte maior que o habitual, de chifres pequenos e caninos inferiores avantajados. Segurava um Machado de ar pesado e não possuía armadura.

- É! O Gluhen tem razão! Lutamos uma luta sem saber se estamos correctos... – Falava agora um demónio de voz rouca, magro e de cabelo desgrenhado. Estava sentado no chão acariciando a sua espada fina e longa como se não fosse voltar a usá-la.

Todos os demónios escondidos na caverna começavam a esmorecer, perder as poucas esperanças que lhes restavam. Karan virou costas a todos e dirigiu-se á saída.

- Onde vais? – Perguntou Gluhen.

Karan olhou por cima do ombro para os companheiros, apoiou Tamaki no ombro, a espada não era como as outras, a lâmina grande, trabalhada, cheia de cortes e saliências, o cabo parecia uma armadura preenchida por dentro apenas com um buraco onde colocar a mão. Dizem aqueles que a usaram que o seu interior é orgânico e que rapidamente se adapta à mão do seu controlador uma vez colocada no buraco, tornando-se una com quem a segura. Do lado de fora da espada, um olho abriu-se desde a morte do seu primeiro controlador, um olho real, enorme, sempre alerta, em movimento. – Se vocês decidiram aceitar que somos mesmo uma raça maligna e que aquele impostor é um Deus... Se vocês decidiram aceitar que anjos podem matar as nossas famílias, destruir os nossos lares e considerarem-se senhores do bem... Se acham que lutamos contra o bem e não contra a tirania e racismo de um anjo que se considera Deus... Então não são mais meus companheiros... Dispenso-vos dos serviços do rei. Agora se me dão licença desejo voltar ao campo de batalha e morrer por aquilo em que acredito antes que os anjos nos encontrem e morramos como cobardes, escondidos e encurralados. – Sem mais uma palavra, Karan levantou voo e abandonou a caverna.

Gluhen sentiu as lágrimas correrem-lhe, virou-se e reparou que o mesmo acontecia com os seus companheiros. – Para a guerra demónios! – Gritou, ao que todos responderam em coro “Avarda Guaderra Kerenu-kepati”.

Karan encarou os demónios que vasculhavam a área. – Hei! Carinhas lindas! Por aqui! – Cerca de uma dezena de anjos o perseguiu, estendo as suas belas asas brancas e deixando os seus belos cabelos de cores vivas ao sabor do vento. Karan voava rasteiro subindo uma montanha que conhecia como a palma da sua mão, encontrava-se em território demoníaco o que era uma vantagem pois os anjos nunca tinham voado por esses céus, pelo menos não os que o seguiam. Chegando ao topo, virou-se para os anjos e mergulhou para traz de si, os anjos não hesitaram em mergulhar assim que chegaram ao topo sem sequer olhar para onde se atiravam. Era tarde para voltar, Karan e a dezena de anjos mergulharam numa fornalha de lava...

Gluhen e os outros demónios travavam agora violenta batalha nos céus do inferno (nome dado à terra dos demónios). Possuíam menor número de soldados mas a fúria nos seus corações não os permitia perder.

Um anjo de asas negras surgiu no horizonte, voava vagarosamente. De armadura branca mas mais pesada que a dos restantes anjos e com uma gola alta, larga, metálica. Cabelo também ele branco que terminava em pontas negras, ar jovem e no entanto olhos sábios, cinzentos. Na sua mão direita possuía Djeia, a eterna inimiga de Tamaki. Ao contraio da espada demoníaca era de pega natural, mais comprida mas fina, de ar celestial, com uma pedra branca no cabo. Parecia nunca ter provado sangue, facto que não era verdade.

- Ele vem aí! Onde está Karan? Sem Tamaki não há esperança.

Surgido do alto do conhecido vulcão surgiu Karan na sua forma demoníaca, a pele parecia feita de pedra e estava quebrada, mostrando lava no interior do demónio. – Riken! Vem conhecer a tua morte... Deus.

O anjo de asas negras focou Karan, sorriu e avançou a uma velocidade impressionante. Em segundos estava frente a frente com Karan que tentou atacá-lo, mas Riken era muito mais ágil, facilmente se desviou colocando-se ao lado de Karan dizendo-lhe ao ouvido – É o fim... – Desferiu um poderoso golpe no torço de Karan. Tamaki soltou-se do braço do demónio e o anjo agarrou-a pela lâmina deixando o corpo de Karan cair para a fornalha de lava.

Matem-nos! – Proferiu Riken friamente em quanto voltava costas ao cenário e desaparecia no horizonte.

Os demónios mal podiam acreditar na morte do seu adorado e corajoso rei, mal conseguiam combater, foram dizimados e poucos sobreviveram contando-se entre eles Gluhen.

Aquela senhora gorducha


E estava eu confortavelmente sentado quando veio aquela senhora tão gorducha e com ar de chata me dizer que não podia ali estar.
- Minha senhora, isto é uma árvore, porque carga de água eu não poderia estar aqui?
- Não é lógico! Podes muito bem ler no banco do jardim! Não sei porque hás-de estar ai em cima.
Os bancos do jardim eram realmente confortáveis, não o nego, mas não tanto como os ramos em que me encontrava, não hoje, não com um livro de Paulo Coelho aberto sobre o colo... Era um desses dias, era capaz de ficar ali para sempre ou pelo menos até à ultima página, ou até para além dela, caso adormecesse à sombra dos galhos mais altos. Mas aquela senhora de alguma idade parecia decidida a importunar a minha tranquilidade.
- Desculpe minha senhora, com todo o respeito, não tem mais nada que fazer? É que eu não tenciono mesmo sair daqui e estamos a perder o seu tempo e o meu!
- Não... - Respondeu cabisbaixa - Não tenho mais nada que fazer... Os dias passam sempre igual, sem nada de novo, nada de importante. Tens razão meu jovem, não tenho o direito de te fazer perder tempo lá porque o meu não tem importância, muito menos sou dona do jardim para exigir que desças dessa árvore.
A senhora deu de costas e afastava-se a passos largos. Podia ter ficado quieto, podia ter lido o resto do livro em paz, mas o dia parecia agora diferente, parecia triste...
Desci alguns ramos e chamei a senhora.
- Olhe, desculpe! Na verdade também não tenho nada de importante para fazer, talvez me queira fazer companhia.
A senhora voltou-se com os olhos a brilhar e eu preparei-me para descer da árvore.
- Não desças meu jovem, eu própria ficarei aqui em baixo. Tu podes ficar aí em cima e ler o teu livro, basta a presença de alguém para acalmar a minha alma.
Obedeci, deitei-me confortavelmente na árvore e comecei a ler, mas para meu espanto li em voz alta. Li durante toda a tarde sem que a senhora me interrompesse. Cheguei a duvidar que me estivesse a ouvir.
No fim do dia a senhora abraçou-me e disse que tinha sido a maior companhia que tivera em muito tempo.
Mal falámos, nem o seu nome eu sabia, e no entanto passamos uma tarde bastante agradável juntos.
Dias depois a minha avó informou-me que ia a um funeral e pediu-me que a acompanha-se apenas até lá, e que depois me poderia vir embora. Fiz o que ela pediu e apenas por curiosidade fui ver a foto de quem falecera... fora aquela senhora gorducha que me parecera tão chata quando me pediu que descesse da árvore.
Nunca olhei para o nome junto da foto, nunca questionei a minha avó sobre quem morrera, nunca comentei aquela tarde que ficou para sempre na minha memória.

Sunday, January 21, 2007

Anti-Lógica

Agora escrevo sem saber o que escrever e aproveito a inspiração de não ter qualquer inspiração para expressar o sentimento de nada sentir. Escrevo com vontade de ter vontade de escrever apesar da vontade não surgir. Mas continuo, linha após linha, confiando na falta de inspiração e me inspirando na falta de confiança que tenho no meu talento neste momento. Agrada-me o nada que nada me agrada sentir, se é que me faço entender, se é que entendo faze-lo. Quero expressar o sentimento de não me querer expressar e tento frustrantemente embelezar a frustração que pela sua falta de beleza se torna bela de um modo diferente e de diferentes modos. Vejo lógica nesta confusão mas confundo-me nesta lógica. Sinto-me alegremente triste pelo facto da minha tristeza me alegrar, e aproveito essa tristeza para sentir alegria de estar triste. É difícil de compreender estas palavras que no fundo encerram lógica, no entanto não sei se no fundo compreendo a lógica que estas palavras encerram. Não procuro mas quero encontrar o sentido do sentimento que sinto e sinto-me sentido por sentir que me sinto assim. Será que sou quem penso ser porque sei que penso ser quem sou, ou penso ser o que sou por saber que sou quem penso ser? Pergunto sem querer que queira encontrar a resposta mas no entanto querendo encontrá-la, pois nem sempre queremos querer aquilo que queremos ou gostamos daquilo que gostaríamos de gostar. Tenho a sensação de avançar ao mesmo tempo que recuo no raciocínio mas sempre com a certeza de estar parado, e no entanto o tempo certamente avança e o texto continua a surgir enquanto continuo na certeza de não conseguir avançar mais uma única linha e no entanto elas surgem da falta de inspiração que me inspirou, e falando sobre o nada, nada tenho para dizer e no entanto do que falar não me falta. Sou um simples louco a tentar entender o que não quero saber e entendo a minha loucura numa tentativa de encontrar a sabedoria e perceber que sou um sábio ignorante que sabe mais do que desejava sem saber o suficiente para sentir saciada a sua ignorância.

Elai

Friday, December 08, 2006

O Sonho

«Onde estou?... Não vejo nada!... Está tudo enevoado… Luzes? … Fogo! … Pequenas fogueiras?... Casas!... Pequenas casas a arder!... Que longe que está o chão… que gritaria é esta?... pessoas?... Em miniatura?... CALEM-SE… PRECISO PENSAR… mal consigo pensar… estão a fugir… de mim?... Mas porquê?... AU! Que foi isto?... Parecem agulhas… que irritante… TENHO DE SAIR DAQUI! CALEM-SE JÁ DISSE! QUE RAIVA! DEIXEM-ME!»
Elai sentia que o raciocínio não fazia parte das suas capacidades no momento, talvez pela raiva que sentia, tinha como desejo único afastar-se daquele lugar. Arrasando dezenas de casas e chacinando um incontável número de pessoas, avançava por entre a cidade a passo de gigante, e em poucos minutos se encontrava fora desta, deixando para trás a sua raiva.
Sentindo agora uma agradável sensação de liberdade, corria pelas planícies que circundavam a cidade. Passados alguns momentos, as árvores que surgiam no seu caminho tornavam-se cada vez mais frequentes, até que entrou numa floresta. Após uma desgastante corrida, Elai deparou-se com um lago calmo que, ao reflectir a luz do sol, emanava um brilho ofuscante que lhe chamava a atenção.
Sentou-se á beira do lago a apreciar as árvores que, apesar de não se lhe apresentarem aos seus olhos de verde e castanho como era costume, mas sim de vários tons de cinzento (como tudo o resto, á excepção do fogo que observara a crepitar minutos antes e do brilho do lago), lhe despertavam a atenção pelo seu reduzido tamanho, não tinham muito mais que a sua altura, facto que, na sua opinião as tornava interessantes. Elai sabia que tudo aquilo era estranho mas não se preocupava em achar a explicação, sentia-se selvagem até mesmo irracional, nunca se sentira assim, tudo lhe parecia mágico, de repente uma árvore tinha mais valor que todo o ouro que alguma vez segurara, não tinha curiosidades nem punha em causa as leis que a natureza lhe impunha, tinha noção do mal que tinha feito ao ter tirado tantas vidas mas, não sentia quaisquer preocupações ou remorsos.
Debruçou-se sobre a água com o intuito de matar a sua sede, porém não chegou a concretizar o pretendido, pois ao observar a superfície da água deparou-se com um reflexo que não era o seu, ainda que estivesse turvo e Elai não conseguisse distinguir qualquer cor, conseguia perceber que aquela era a imagem de uma feroz besta cuja descrição, embora não a conseguisse descrever, estava sem dúvida muito longe de coincidir com a sua. Assustado, desviou o olhar para si mesmo e compreendeu que aquela era realmente a sua imagem, e que o lago não o enganara, ele era a besta, tudo tinha o seu tamanho normal, era ele que estava enorme. Ao tentar gritar apercebeu-se que os sons que emitia eram mais parecidos com um rugido, agora percebia o porquê do pânico instalado na cidade.
Enfurecido, Elai começou a destruir as árvores que contemplara momentos antes. Como é que não percebera antes? Sentia-se confuso, sem saber o que fazer. Entrou na floresta sem destino deixando um rasto de destruição á sua passagem.
Penetrou na densa vegetação e instalou-se no coração da floresta, assim como uma flecha perfura na carne para se instalar no coração humano. O lugar era negro, e as árvores mais altas que as anteriores, e com uma maior carga de folhas que poucos raios de sol podiam penetrar.
Sentia-se só e sem rumo, não sabia para onde ir ou o que fazer, fechou os olhos por um instante como que para meditar e, no momento em que os abriu, as árvores em seu redor emanavam uma estranha luz vermelha enquanto dançavam. Sentiu-se confuso por um momento mas logo se apercebeu que se tratava de fogo, a floresta estava a arder, sentiu o chão sumir-se debaixo dos seus pés, e de repente, o vazio, todo desaparecera, o fogo, a floresta, tudo.
Estava escuro e, no silêncio arrebatador do local, Elai não ouvia mais que a sua respiração ofegante, não sentia mais que o medo... transpirava... o suor passeava-lhe pelo corpo provocando-lhe incómodos arrepios... «EU QUERO MORRER, EU VOU ENLOQUECER»
«Morrerás! Mas não sem antes sofrer pelos teus crimes» uma voz calma e altiva surgira do nada, deixando Elai ainda mais apavorado, sobretudo pelas palavras proferidas.
A misteriosa voz desapareceu dando lugar ao que parecia ser um lamento de uma inteira multidão, um choro arrepiante...
«Este é o choro das tuas vítimas... de todas elas» a vós voltara «sente agora a dor do arrependimento», Elai não imaginara qual seria o “castigo” pelos seus crimes, mas nunca imaginara que fosse tão cruel... Sentia a dor do remorso, dezenas de choros e lamentos de homens, mulheres e até crianças dançavam por entre os seus ouvidos, as lágrimas corriam-lhe rosto a baixo, e a morte parecia ser a única solução.
Ao fechar os olhos sentiu as mãos de suas vítimas que o agarravam e puxavam para baixo afundando-o num fétido mar de cadáveres, porém não lutou, deixou-se ir; por entre choros e lamúrias... aceitou o seu “castigo”.
Contudo, contrariamente ao que Elai pensara, não havia morrido, sentia as mãos a soltá-lo, ouvia cada vez menos lamurias, e o cheiro a morte era substituído por uma agradável maresia .Por fim apenas uma mão lhe tocava e uma última voz doce lhe sussurrava... «acorda dorminhoco».


Elai st

Monotonia

Hoje acordei mal disposto. Fiz o mesmo percurso de sempre, a mesma rotina de sempre, mas hoje isso incomodava-me. Na verdade este tipo (ou qualquer outro) de rotina sempre me incomodou, mas hoje algo me deixava mais pensativo que o costume.
Decidi faltar á primeira aula para espairecer. Mas não resultou em nada, quando voltei para a escola sentia um vazio ainda maior. Evitei os meus amigos durante todo o dia, não me apetecia estar com ninguém.
Voltei para casa á hora de almoçar, e uma vez mais a rotina foi a mesma… as mesmas conversas… os mesmos lugares nas cadeiras como se temêssemos que a mais pequena mudança interferisse no nosso mundo “perfeito”.
Faltei mais uma vez á primeira aula (da tarde), desta vez apenas por preguiça, aproveitei para pensar na mudança, e cheguei á conclusão de que o ser humano a teme. Ainda que não se sinta feliz, ainda que saiba que um dia irá lamentar todas as vezes que não arriscou, o ser humano evita a mudança.
Com este pensamento regressei á escola. A viagem cada vez mais penosa, sempre igual, apenas a minha expressão se alterava, como se a alma me abandonasse a pouco e pouco o corpo… como se a monotonia me matasse.
Na sala de aula, a minha tristeza não passou despercebida, a professora perguntou-me o que se passava comigo. Em vez de responder, perguntei-lhe “quantas vezes já se sentou nessa cadeira? Quantas vezes repetiu as mesmas aulas para turmas diferentes? Quantas vezes pensou em abandonar a rotina mas não o fez?... É feliz?”. Ao contrário do que esperei, a pergunta teve efeito, todos pararam para pensar no assunto por alguns momentos… mas ninguém respondeu. A professora optou por fingir que o episódio nunca tinha acontecido e prosseguiu.
Após este dia lastimável a minha única fuga é mesmo escrever, alivia-me sempre… como se a mágoa se prendesse nas palavras e abandonasse a minha alma, não por completo mas o suficiente para que me sinta de novo preparado para a monotonia.


Elai

Wednesday, December 06, 2006

Feliz Loucura

Seis longos e dolorosos anos se passaram desde a tua morte. Nem por um dia deixei de pensar em ti.
Escrevo agora mais uma carta, que sei que não será entregue, na esperança vã que a dor se prenda ás palavras soltando-se da minha alma. Na minha loucura pude ser feliz... ver-te, tocar-te, sentir-te... no entanto mais ninguém o pôde fazer... nem ver-te, nem ouvir-te, nem reconhecer a tua existência. Se comentasse a tua existência seria um louco, e tu... tu serias “produto da minha imaginação”. Talvez seja verdade, mas enquanto louco fui feliz, enquanto tu exististe, eu vivi, agora na tua ausência morro lentamente. Anseio a tua visita durante os sonhos... ai os sonhos que me permitem ser louco por mais um pouco, louco e feliz por uns momentos mesmo que tenha dificuldade em lembra-me deles.
Nunca te vou perdoar, nunca vou perdoar a covardia da tua morte, a covardia de antecipar o fim iludida pelo facto de “ser melhor para mim viver na ausência de um ser que ameaçava a minha sanidade mental”... Nunca me queixei, nunca preferi ser são... Agora livre da loucura sofro e não tenho refugio... não há refúgio, pois o único que existia abandonou-me e partiu contigo...

Por tudo isso, amo-te e odeio-te... vou sempre odiar-te, vou sempre amar-te!


Elai ft

25º Livro do Tempo

Recordo hoje as palavras daquele que foi sem dúvida o meu ídolo. Argath, meu mestre e mentor, escriba das trevas e muitas vezes chamado de tirano, por mais de uma vez proferiu e me obrigou a repetir a Kuatan dos demónios “Avarda Guaderra Kerenu-kepati”. Percebo agora o seu significado, e estou portanto pronto a seguir o mesmo caminho substituindo-o na sua dura tarefa de relatar todos os eventos, batalhas, e rituais entre demónios e anjos do ponto de vista dos seres das trevas.
Passaram dois séculos desde a morte do mestre, e como partiu antes de tempo, a minha formação não estava pronta. Um pequeno atraso na história contada pelos sagrados livros do tempo terá agora de ser recuperado. Embora continue sem estar preparado, o senhor das trevas começa agora a pressionar o conselho dos escribas e, embora eu seja considerado “um erro do destino” pelo conselho, sou o escolhido e mais ninguém poderá levar a cabo a minha missão. Muito trabalho me espera, pois foram duzentos anos muito ricos em acontecimentos e batalhas que irão alterar para sempre a história do mundo, e embora a história não esteja acabada talvez acabe antes que possa terminar o livro, encontrando assim desfecho para o meu primeiro livro do tempo, que será o vigésimo quinto na história das trevas.
Começarei por falar numa antiga batalha travada no livro do tempo número vinte e quatro...


Elai, Escriba das Terras Insólitas
Livro do Tempo Numero 25 \ Livro do Escriba Numero 1

Thursday, September 21, 2006

Razhell diary...Tudo o que tem começo também (ñ) tem fim...

Se há épocas que atormentam a espécie humana são de certo épocas do qual o céu se encontra coberto pelo negro da morte e ilustrado de um clarão avermelhado esbanjado sobre a tela azul dos deuses. Provavelmente do viscoso sangue que foi despejado em batalhas travadas pelos sagrados e poderosos. Aqueles que habitam para lá do além mítico e futurístico, comandantes do saber tão desejado e extremamente aguardado pela simplicidade e vulnerabilidade mortal que cobre este nosso débil planeta…
Desculpem… entusiasmei-me… meu nome é Razhell… falando indirectamente sou filho das magníficas criaturas que provêem e ascendem à Terra de modo sorrateiro… aqueles a quem vocês, portadores de alma divina chamam de Demónios.
Pois bem, peço desde já da vossa parte, que aceitem os meus mil perdões mas… quero esclarecer de imediato, do início do primeiro minuto até ao fim da nossa aventura, que Demónio não é sinónimo de malefício, dor, tormento ou até mesmo morte… a palavra em jogo que está a ser criticada é muitas vezes confundida com adjectivos de aspecto sombrio e caótico e é constrangedor para mim pensar que criaturas sem poder como vós, sugiram e atirem (citem) ao acaso tal ofensa sem me conhecerem. Assim, aparte de hoje… esta página vai esclarecer muitas dúvidas e questões que ocupam tanto espaço nas vossas mentes, sejam elas corruptas, idealistas ou até mesmo ignorantes para os que gostarem de passar horas a frente do dicionário apenas para “descodificar” um simples texto como este. Façam umas visitas ao nosso reino fantasíaco… não se vão arrepender. Não selem os vossos horizontes, marquem impacto, sofremos todos de uma doença rara…antropomorfismo, pois a vida é única e é para ser vivida com glória e paixão com o deus interior…Vocês mesmos…

I'm here..if u want...if u don't..i do not exist at all...was that clear ??? =)

Tuesday, August 29, 2006

O Nosso Mundo

Percorrendo o tenebroso caminho da realidade
Tropecei na dura e amargosa pedra da verdade
Que nos consome os sonhos e nos impede de voar
Que nos diz o que podemos ou não ver e tocar
Levantei-me e ignorei tal pedra no meu caminho
E por um trilho inexistente decidi caminhar sozinho
Nesse caminho reinava a imaginação
Nesse reino podia encontrar uma fada ou um dragão

Para meu espanto encontrei outro caminhante
Parecia uma criança de ar radiante
Seu nome era Razhell e caminhou a meu lado
Com ele vivi mil aventuras nesse reino encantado
Somos agora irmãos, filhos da fantasia
Chamamos agora casa a esse mundo de magia

Não sentimos arrependimento em deixar a realidade
Não sentimos pena, nem dor, nem saudade


Elai FT

Saturday, August 26, 2006

Mãe: Fantasia // Pai: Surrealismo

Duas mentes diferentes
Numa posição tão semelhante
dois corpos que no solo estão assentes
e em sonhos a fantasia navegante

Ideais extremamente aconchegados
uma imaginção deslumbrante
constituimos 7 pecados sagrados
e ambos habitamos um mundo distante

Atacamos com fé o presente indesejado
retaliamos e construimos o que á muito foi vivido
dupla mítica sei que és meu aliado
nesta ardua batalha á conquista do esquecido

Nossas visões idênticas e talento inigualável
cegam a inveja de modo avassalador
contra fúrias a verdade é imperdoável
segredas a ironia e desprezo..e eu atiço com amor

Somos a geração que marca impacto
o ímpeto da creatividade
Somos Elai e razhell de facto
simbolizamos a sucedida superioridade...


A tribute to "4ever the brothers" By:Razhell